Por que o homem precisa de salvação?

Para compreender o motivo pelo qual o homem precisa de salvação se faz necessário saber como, quando, onde e porque se está condenado e qual pena foi estabelecida. É necessário compreender como Deus justifica aquele que está condenado sem invalidar a sua justiça e o porquê da necessidade de um salvador. Por fim, se faz necessário identificar a verdadeira causa do sofrimento da humanidade.


“Por que o homem precisa de salvação?” é uma explicação sucinta do plano da salvação para que fique claro o porquê e por quem Jesus morreu, ou antes, ressurgiu dentre os mortos. Que fique claro que Ele não veio condenar o mundo, mas veio salvá-lo “Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” ( Jo 3:17 ).

Todos passam por muitos problemas e sofrimentos nesta existência, mas estes não são os motivos pelos quais o homem precisa de salvação.

O homem precisa de salvação hoje por causa de uma condenação que sujeitou toda a humanidade à morte no passado. A morte foi imposta pelo pecado, uma barreira erguida que separa o homem de Deus. No entanto, por causa de uma visão desfocada, geralmente os homens só se perguntam se estão perdidos quando defrontam com alguma vicissitude – não rotineira – da vida.

A Bíblia nos revela que Deus já julgou a humanidade lá no Éden, e que todos os homens estão sob condenação, mas equivocadamente acredita-se que Deus ainda há de julgar a humanidade para determinar aqueles que serão salvos ou que perecerão.

Por causa de uma visão distorcida, várias religiões prometem salvação após o julgamento final, mas Jesus e os apóstolos afirmaram que o juízo de Deus já foi estabelecido e que todos estão debaixo de condenação. Como a perdição é uma realidade, através do evangelho de Cristo é oferecido salvação hoje, o chamado ‘dia aceitável’ ( Rm 5:16 ; Jo 3:18 ; 2Co 6:2 ).

Apesar da condenação que pesa sobre a humanidade, com o nascimento de Jesus, o Emanuel, cumpriu-se a profecia que diz: “O povo que andava em trevas, viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz” ( Is 9:2 ), e Cristo foi estabelecido por salvação para todos os povos.

 

O problema da humanidade

Geralmente o que salta aos olhos quando se pensa em salvação são os erros de conduta das pessoas. Por causa de questões comportamentais e morais muitos entendem que se a pessoa for ‘boazinha’, será salva.

Quando se observa uma pessoa desregrada, transviada, má, criminosa, etc., de imediato acredita-se que o tal necessita de salvação muito mais que o restante da humanidade. Isto não é verdade, pois as pessoas desregradas precisam de salvação, como também todos os demais homens, mesmo os religiosos, sábios, regrados, ordeiros, etc.

A Bíblia nos diz que Jesus veio salvar os perdidos, e os perdidos não estão somente entre os desajustados da sociedade. Os perdidos são vistos nas sarjetas e nos palácios, nos templos e nos prostíbulos, na filosofia e na religião, nos ateus e nos crédulos, etc.

Uma visão distorcida dá a falsa segurança para alguém que é saudável, inteligente, abastado de bens, pertencente a uma família e tem muitos amigos, que não necessita de salvação. Mas, segundo a Bíblia, nenhum desses quesitos são indicativos de que o homem está salvo.

 

Uma natureza má

Todo homem sem Cristo está sob o domínio do pecado, ou seja, são escravos do pecado. A sujeição ao pecado não é perceptível aos sentidos naturais e nem é possível identifica-lo através dos sentimentos ou das emoções. Somente as Escrituras revelam o pecado como o mal que afeta a todos através da revelação das Escrituras.

Isto significa dizer que o pecado não tem cheiro, gosto, forma, não emite som, etc. Todos os homens possuem sentimentos e emoções, porém, não é possível identifica-los como pecadores através das emoções ou dos sentimentos, porque quando a Bíblia aponta para a natureza má do homem aponta para uma condição que se estabeleceu desde o nascimento.

A natureza má do homem não se manifesta somente através de condutas desregradas como matar, mentir, roubar, etc. Mesmo quando o homem parece correto, controla as suas emoções, segue bons princípios de convivência e sabe dar boas dádivas aos seus semelhantes, diante de Deus tal pessoa é designada má tal qual os desregrados “Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos…” ( Mt 7:11 ).

A Bíblia nos informa que tanto o religioso, o monge, o padre, o juiz, etc., quanto o roubador, homicida, estuprador, etc., se não aceitarem a Cristo, são igualmente maus diante de Deus. O mal está na natureza humana, pois é contaria a natureza de Deus. Deus é vida e a natureza humana herdada de Adão morte.

O mal da natureza herdada de Adão não é o caráter, a moral ou a índole do indivíduo, mas uma condição contraria à natureza de Deus. Se o homem possui comunhão com Deus: é luz, é verdadeiro, é justo, é santo e bom (nobre). Se não há comunhão com Deus, a sua condição é contraria à nobre, ou seja, é treva, mentiroso, injusto, impuro e mau, no sentido de baixo, vil.

Quando a Bíblia diz que o homem é mau, não se refere às ações – se boas ou más.

O Salmista enfatiza do ponto de vista social que tanto os homens nobres, quantos os homens da ralé são mais leves que o efêmero. No quesito mal – não importa o comportamento – e sim o nascimento. Se descendente de Adão, são mentirosos, ruins “Certamente que os homens de classe baixa são vaidade, e os homens de ordem elevada são mentira; pesados em balanças, eles juntos são mais leves do que a vaidade” ( Sl 62:9 ); “De maneira nenhuma; sempre seja Deus verdadeiro, e todo o homem mentiroso; como está escrito: Para que sejas justificado em tuas palavras, E venças quando fores julgado” ( Rm 3:4 ).

Quando é dito na bíblia que todo homem é mentiroso, não significa que todos são desonestos, ou que todos faltam com a verdade para com os seus semelhantes. ‘Mentiroso’ é condição decorrente do coração enganoso herdado de Adão e não uma falha de caráter ( Sl 58:3 ; Jr 17:9 ).

O problema da humanidade teve início na ofensa de Adão, pois através de uma ofensa veio o juízo de Deus sobre todos os homens para condenação: morte. O juízo já foi estabelecido, por isso Jesus não veio condenar o mundo, mas salvá-lo ( Rm 5:18 ).

Deus é vida, luz, bom, santo, justo, etc., e o homem alienado de Deus passou a condição de morto, trevas, ruim, impuro, injusto, etc.

O problema da humanidade não está em suas ações, assim como o problema de uma infecção não está no pus, antes o problema está e decorre da semente que foi gerada. Todos os homens são gerados da semente corruptível de Adão, árvores que Deus não plantou, mas se crer em Cristo é enxertado na oliveira verdadeira, transportado das trevas para luz.

O homem sem Cristo é miserável pelo que é, e não pelo que faz. Adão, o primeiro homem, foi criado justo e santo, mas desobedeceu o Criador e sofreu as consequências da sua decisão: separou-se de Deus. Em razão da sua condição maldita, a semente de Adão tornou-se má e só produz descendentes maus.

Semelhante a semente de uma árvore má que produz outra árvore também má, assim são os descendentes de Adão concebidos em pecado: “Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores …” ( Rm 5:19 ).

O homem não possui o poder de mudar a sua natureza, assim como os anjos não podem mudar a deles. Os homens precisam de Cristo porque só no evangelho há poder que faz de quem crê uma nova criatura participante da natureza divina.

 

Boas e más ações

A desobediência de Adão (que foi comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal) é a ofensa que alienou toda a humanidade da glória de Deus. Um mal que se perpetua de pai para filho, independentemente de quaisquer ações que o homem realize.

Além de se tornar pecador, algo decorrente da desobediência ao mandamento dado no Éden, o homem também adquiriu um conhecimento: o conhecimento do bem e do mal. Conhecer o bem e o mal não é o pecado, antes é consequência de ter comido do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal.

Por causa do conhecimento do bem e do mal todos os homens, tanto justos como injustos, são capazes de realizar boas ações e más ações, entretanto, a natureza em pecado do homem não pode ser alterada através de suas ações, quer sejam boas ou más ( Ec 7:20 ). Se fizer boas ações, a natureza permanecerá má, se fizer más ações, a sua natureza permanecerá igualmente má.

Geralmente se presume que somente as pessoas que comentem más ações são pecadoras, porém, Jesus evidencia através da parábola do ‘Fariseu e o Publicano’ que, apesar de o fariseu se cercar de boas ações, diante de Deus não estava justificado.

No período da escravidão tudo que um escravo produzia – por lei – pertencia ao seu senhor. Esse mesmo princípio aplica-se ao homem sem Cristo, pois tudo que o pecador produz pertence ao pecado, quer sejam boas ou más ações.

O pior homem sem Cristo não se mensura por suas más ações, e mesmo o melhor homem sem Cristo não se mensura por suas boas ou más ações “O melhor deles é como um espinho; o mais reto é pior do que a sebe de espinhos” ( Mq 7:4 ). Diante de Deus o melhor dos homens quanto o mais reto estão em igual condição ( Sl 53:3 ).

Devemos olhar com reservas para concepção do homem sem Cristo, por mais justo e correto que pareça, pois a aparência engana e, a concepção deste homem acerca das coisas de Deus é tão perniciosa quanto à do pior dos homens: o melhor e o pior dos homens estão equivocados. Por causa da natureza má, o pensamento do homem alienado de Deus é permanentemente mau. Por causa da natureza herdada de Adão, o homem sem Deus, além de trilhar um caminho de perdição, é mentira desde a origem ( Rm 3.4; Sl 58:3 ).

É em função da natureza do homem sem Deus que Cristo conta a parábola da ‘Árvore boa e a má’: a árvore má produz maus frutos e a árvore boa produz bons frutos ( Mt 12:33 ). A figura da árvore representa o homem; a árvore má representa o homem que não nasceu de novo, árvore que não foi plantada por Deus, ou seja, é árvore nascida de uma semente corrupta, a semente de Adão.

O homem (árvore má) pode até dar coisas boas aos seus semelhantes, porém, dizer coisas boas é impossível, pois possui um mau tesouro no coração enganoso e corrupto ( Mt 12:35 ), e Jesus aplica a figura da árvore má diretamente aos fariseus, porque sendo maus, nascidos de Adão, era impossível (não podiam) dizer boas coisas ( Mt 12:34 ).

É por causa da impossibilidade de um homem sem Cristo (árvore má) dizer (fruto) coisas boas que Jesus alerta acerca de como identificar os falsos profetas: pelo fruto, ou seja, pelo que dizem, pois a boca evidencia o que há no coração. É possível um falso profeta se manter escondido sob o disfarce de ovelha, ou seja, pela aparência (boas ações), mas é impossível disfarçar o fruto ( Mt 7:15 -16).

Embora muitos pensem: “Eu não sou malévolo”, ou até diga: “Cometo erros, mas isto não me faz merecer queimar em fogo pela eternidade”, o juízo de Deus para condenação foi estabelecido por causa de um só homem que pecou. Por causa da ofensa de Adão a condenação se abateu sobre todos os homens ( 1Co 15:21 -22), e muitos ignoram o fato de estarem condenados.

Muitos argumentam que é injusto ser condenado à perdição eterna porque um homem pecou! Este era o sentimento dos filhos dos escravos, pois nada fizeram para estarem sujeitos ao mando de seus senhores, entretanto, estavam condenados a uma existência de servidão.

Alegar que é injusto ser condenado pelo erro de outro não livra o homem da sua condição de sujeição ao pecado. O que livra o homem de tal condenação é crer no evangelho, que é poder de Deus para fazer dos filhos de Adão filhos de Deus.

 

A doutrina de Cristo

“O que eu devo fazer para ser salvo?”

A Bíblia dá a seguinte resposta: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e a tua casa” ( At 16:30 -31).

Quem é Jesus para que eu possa confiar n’Ele?

Jesus foi um homem da cidade de Nazaré como qualquer outro homem, porém, o diferencial entre Cristo e os demais homens está na forma como veio ao mundo. Enquanto os demais homens vêm à existência da concepção derivada da união íntima de um homem e uma mulher – na eternidade o Verbo Eterno teve que se esvaziar da sua glória, ou seja, deixar o seu divino poder, e ser ‘lançado’ pelo Espírito Santo no ventre de uma virgem (Maria). Fato que determina que nasceu sem pecado!

O Verbo – desde sempre existiu – mas ao despir-se da sua glória, conforme as profecias se fez homem e nasceu na casa de Davi. Entre os homens foi nomeado ‘Jesus’ conforme orientação de Deus, e tudo o que estava escrito acerca d’Ele nas Escrituras cumpriu-se ( Rm 1:3 ).

Enquanto o primeiro homem Adão, que veio ao mundo sem pecado, desobedeceu a Deus, o Verbo eterno – ao assumir a forma humana – se fez servo e foi obediente até a mote, e morte de cruz. A desobediência de Adão trouxe condenação sobre todos os homens, e Cristo, pela Sua obediência, trouxe salvação a todos quanto crerem n’Ele.

Jesus foi declarado Filho de Deus com poder quando Deus O ressuscitou dentre os mortos ( Rm 1:4 ), cumprindo cabalmente o que foi dito a Davi:- “O teu descendente que proceder das tuas entranhas (…) Eu lhe serei por Pai e Ele me será por Filho” ( 2Sm 7:12 -14).

O apóstolo Pedro deu testemunho que Cristo foi crucificado, mas que Deus o ressuscitou dentre os mortos e que em nenhuma outra pessoa há salvação, pois na terra não há outro nome pelo qual os homens são salvos ( At 4:11 -12).

Jesus é o Salvador, porque quando o homem (Adão) pecou contra o Criador, Deus prometeu um libertador (O Messias, que é o Cristo) e, na plenitude dos tempos Deus enviou o seu Unigênito aos homens, cumprindo-se as profecias escritas a respeito de Jesus séculos antes do Seu nascimento.

Jesus é o descendente prometido a Abraão em quem todas as famílias da terra seriam benditas. Ele é o rebento na casa de Jessé, o Filho de Davi. Conforme a profecia, Jesus nasceu de uma virgem na cidade de Belém, e na sua boca nunca houve engano, porque falava verazmente segundo o seu coração.

Conforme as profecias, na crucificação, as mãos e pés de Jesus foram perfurados, morreu e foi sepultado na cova de um homem rico e ao terceiro dia ressurgiu dos mortos, provando assim que o Jesus de Nazaré é efetivamente o Cristo, o Filho de Davi conforme confessou o cego a beira do caminho de Jericó.

Até aqui, apresentamos aspectos da vida de Jesus homem quando habitou entre nós, porém é imprescindível salientar que Jesus também é o Senhor da Glória.

Jesus, desde sempre (eternidade) é Deus ( Jo 1:1 ). De posse do Seu eterno poder tem toda autoridade. Na eternidade não há hierarquia entre as pessoas da trindade (são um) “Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra (Verbo Eterno), e o Espírito Santo; e estes três são um” ( 1Jo 5:7 ) , de modo que o Verbo Eterno possui toda autoridade, é conhecedor de todas as coisas, é onipresente e dá vida a todos que crerem nele conforme as Escrituras.

Antes de haver mundo, o Verbo eterno criou todas as coisas e Ele sustem todas as coisas pelo Seu poder, mas para ser introduzido no mundo o Verbo eterno despiu-se do seu eterno poder (Jo 17.5; Fl 2.7), e se fez carne e passou a habitar entre os homens na qualidade de único gerado de Deus, pois a sombra do Espírito repousou sobre Maria e ela achou-se grávida.

Quando esteve entre os homens admitiu abertamente: “Eu e o Pai somos um”. E aquele que o ouviram retrucaram: “… tu, sendo homem, te fazes Deus” ( Jo 10:30 -33). Eles achavam que Jesus estivesse blasfemando e queriam matá-lo. Todas as vezes que Jesus anunciou a sua divindade, os seus ouvintes quiseram apedrejá-Lo: – “Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse ‘Eu Sou’” ( Jo 8:58 ).

Quando João Batista deparou-se com Jesus, apesar de ver um homem semelhante a ele, declarou: – “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Jesus sendo homem, João batista enfatizou: – “Este é aquele do qual eu disse: Após mim vem um homem que tem a primazia, porque era primeiro do que eu”, apontando a preexistência de Cristo ( Jo 1:30 ).

Na eternidade não havia a relação Pai, Filho e Espírito Santo. Na eternidade o Verbo é 100% Deus, e ao deixar a sua glória ao ser introduzido no ventre de Maria se fez 100% homem. No mundo dos homens com a encarnação do Verbo eterno passou a existir a relação Pai e Filho, pois seres celestiais não procriam e, este foi o acordo de Deus Elohim na eternidade ( 2Sm 7:14 ).

Em meio aos homens, Jesus não deteve nem se quer 0.0001% do poder que possui antes de ser introduzido no mundo, pois só tornando-se efetivamente homem reuniria os elementos imprescindíveis para ser mediador entre Deus e os homens, ou seja, em tudo Cristo foi semelhante aos homens “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem” ( 1Tm 2:5 ; Hb 2:17 ).

Lembrando que o poder de Deus é infinito, qualquer porcentagem do poder de Deus, a mais ínfima, diz de um poder ilimitado. Quando em meio aos homens, Jesus viveu na dependência completa do Pai, ou seja, efetivamente se fez homem e foi obediente ao Pai até o fim.

Quando homem, apesar de não estar de posse da sua glória (poder), Jesus – o Espírito Eterno encarnado – era digno de adoração. Os discípulos e os seguidores de Jesus não conseguiam compreender que, aquele homem nascido em Belém e que residiu na cidade de Nazaré era o Criador do mundo.

Os contemporâneos de Jesus não conseguiam ter ideia da glória e majestade de Cristo porque Ele se fez homem por causa da paixão da morte. Mas através da sua ressurreição, agora é possível compreender que todas as coisas estão sujeitas a Cristo ( Hb 2:8 -10).

É imprescindível ao crente compreender que Jesus é o Sumo-sacerdote da Nova Aliança que pode compadecer dos pecadores, pois esteve sujeito às mesmas fraquezas e em tudo foi tentado, porém, sem pecado ( Hb 4:15 ). Ele mesmo – em obediência ao Pai – se interpôs como sacrifício ( Hb 9:15 ), e entrou nos céus, em um tabernáculo não feito por mãos de homens ( Hb 9:24 ); “Mas Ele, que já permanece para a eternidade, possui um sacerdócio exclusivo. Eis porque tem condições de salvar definitivamente os que, por meio dele, se aproximam de Deus, pois está sempre vivo para interceder em favor dele” ( Hb 7:24- 25).

A mensagem de Jesus é universal e atemporal: Jesus salva crianças, velhos, mulheres, homens, rico, pobre, sábio, ignorante, etc.

Quando entre os homens, Jesus recebeu afetuosamente tanto os rejeitados pela sociedade e pela religião, quanto aqueles que, tendo uma religião e desempenhando um papel social, creram n’Ele.

Jesus comissionou os seus discípulos, dizendo: – “Ide e fazei discípulos de todas as nações” ( Mt 28:9 ; Jo 3:16 ), pois Ele morreu pela humanidade inteira.

Cristo morreu por todos os homens, e não por alguns em particular ou em especial, pois o desejo de Deus é que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade ( 1Tm 2:4 ).

Para ser salvo é necessário crer que aquele Jesus que residiu na cidade de Nazaré é o Filho de Deus, nascido da descendência de Abraão e na casa de Davi. Que Ele fez muitos milagres e maravilhas enquanto andou entre os homens com a missão de revelar Deus a humanidade ( At 4:10 ). Foi morto, sepultado, mas ressurgiu ao terceiro dia e está à destra da Majestade nas alturas.

Jesus veio ao mundo como o Unigênito do Pai e, por tudo que sofreu, fica evidente que, mesmo sendo o Filho de Deus, foi obediente em tudo, até à morte ( Hb 5:8 ). Ele foi conduzido ao calvário como um cordeiro que não abriu sua boca e, abdicou de fazer a sua vontade, sujeitou-se à vontade do Pai ( Lc 22:42 ). E, ao terceiro dia ressuscitou dentre os mortos como o Primogênito de Deus, pois por Ele muitos filhos são conduzidos a Deus ( Hb 2:10 ), pois aqueles que creem em Cristo – morrem para o mundo e nascem de novo – como filhos de Deus.

 

Novo Nascimento

O novo nascimento através da semente incorruptível é providência graciosa de Deus que torna o homem livre da natureza má herdada de Adão.

Quando você crê que Jesus é o Cristo, torna-se participante da carne e do sangue de Cristo ( Jo 6:35 e 53). Isto significa que você é participante da morte de Cristo, ou seja, tomou a sua própria cruz e seguiu após Cristo, foi crucificado, morto e sepultado à semelhança da Sua morte ( Rm 6:5 ).

Quando o homem crê em Cristo, o juízo de Deus estabelecido no Éden é satisfeito, pois a pena estabelecida para os pecadores – a morte – não passa da pessoa do transgressor. Deus é justo juiz quando o pecador morre com Cristo, pois recebe o cumprimento da sua sentença , pois o salário do pecado é a morte.

É no momento da morte com Cristo que o homem passa à condição de morto para o pecado ( Rm 6;11 ), e a maravilhosa graça de Deus se manifesta, pois mesmo não tendo obrigação nenhuma para com aquele que foi apenado na morte com Cristo, graciosamente Deus traz a existência um novo homem pela ressurreição de Cristo.

O velho homem é crucificado para que o corpo que pertencia ao pecado seja aniquilado ( Rm 6:6 ), e o pecado não tenha mais domínio sobre o tal homem , pois é certo que, morrendo o homem não há mais lei que o vincule ao pecado ( Rm 7:4 ).

O crente em Cristo ressurge com Cristo ( Cl 3:1 ) uma nova criatura criada segundo Deus em verdadeira justiça e santidade ( Ef 4:24 ), de modo que já não há nenhuma condenação ( Rm 8:1 ).

O apóstolo Paulo diz que nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, porque aquele que está em Cristo Jesus é uma nova criatura isenta de culpa ( Rm 8:1 ; 2Co 5:17 ). Esta nova criatura é participante da natureza divina, ou seja, bom, luz, filho, etc. ( 2Pd 1:4 ). Do bom tesouro do coração fala coisas boas: confessa que Jesus é o Filho de Deus, produz o fruto dos lábios de quem está ligado à oliveira verdadeira: – “Paz, paz, para os que estão longe e para os que estão perto” ( Is 57:19 ).

A nova criatura não mais comete erros? Sim comete, pois apesar de se livrar da condenação estabelecida no Éden, ainda é conhecedor do bem e do mal. Entretanto, as suas obras e intenções do seu coração serão julgadas no Tribunal de Cristo, e não mais no Grande Trono Branco ( 2Co 5:10 ).

 

Falta alguma coisa?

O crente em Cristo arrependeu-se quando creu em Cristo conforme tudo o que foi predito acerca d’Ele nas Escrituras, momento em que Deus concedeu o perdão de todos os seus pecados e delitos.

Agora em Cristo – uma nova criatura – você não precisa viver admitindo culpa (confessando erros do cotidiano) diante de Deus para garantir a salvação, pois nenhuma condenação há que pese sobre você como nova criatura.

Todas as ações dos cristãos serão julgadas no Tribunal de Cristo, portanto, você pode pedir perdão a Deus por questão de consciência, mas não são estas questões que te levará à perdição.

Como crente, você não precisa mais arrepender-se acerca de como alcançar salvação, ou seja, mudar de concepção (metanoia), pois o seu arrependimento diante da mensagem do evangelho é o que te levou a crer em Cristo. O arrependimento bíblico não se repete ao longo da existência do cristão neste mundo, pois crer em Cristo se dá de uma vez por todas, sendo necessário somente a perseverança.

O arrependimento ligado ao remorso e que se concita a confissão de erros diante de um sacerdote, ministro, padre, etc., decorre de uma concepção católica antiga que vinculava o arrependimento à penitência, ou indulgência.

Por causa das questões próprias à penitencia e à indulgencia surgiram afirmações como: – “Não basta admitir culpa, tem que se arrepender”; ou – “Arrependimento genuíno só parte de um coração quebrantado”; ou – “Arrependimento é mais que remorso”, etc.

A culpa pelos erros cometidos, somado à ideia de arrependimento como penitencia e indulgência fazia com que as pessoas doassem seus bens como prova de genuíno arrependimento e devoção, porém, o arrependimento bíblico é somente admitir que Jesus é o Cristo de Deus que tira o pecado do homem.

A oração do crente nascido de novo é de alegria, expressão verbalizada da sua confiança por ter amplo acesso ao trono de Deus “No qual temos ousadia e acesso com confiança, pela nossa fé nele” ( Ef 3:12 ; Hb 10:19 ). Você não deve se apresentar como indigente diante de Deus, mas como filho agradecido por todas as bênçãos concedidas, pois Deus nos fez assentar nas regiões celestiais em Cristo Jesus ( Ef 1:3 ).

Ainda falta alguma coisa para o crente? Sim.

Há a necessidade de se alimentar constantemente. Primeiro com leite racional, depois com alimento sólido até chegar a estatura de varão perfeito, a medida da estatura de Cristo. Prosseguir para o alvo, que é o pleno conhecimento de Cristo. Combater o bom combate em defesa do evangelho e permanecer crendo nele!

E depois de haver feito isto, permanecer firme, até que o corpo mortal seja revestido da imortalidade.

Claudio Crispim

Nasceu em Mato Grosso do Sul, Nova Andradina, em 1973. Aos 2 anos, sua família mudou-se para São Paulo, onde vive até hoje. O pai ‘in memória’ exerceu o oficio de motorista de ônibus coletivo e a mãe comerciante, ambos evangélicos. Claudio Crispim cursou o Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública na Academia de Policia Militar do Barro Branco e, desde 2004 exerce a função de Tenente da Policia Militar do Estado de São Paulo. É casado com Jussara e é pai de dois filhos, Larissa e Vinícius. É articulista do Portal Estudo Bíblico (www.estudobiblico.org), com mais de 360 artigos publicados e distribuídos gratuitamente na web.

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